Makela ma Zômbo

Patrício Batsîkama

Prefácio de Simão SOUINDOULA (Historiador e Perito da UNESCO)

 

"Chega com a presente obra, um estudo decisivo sobre a importância histórica, antropológica e militar do pilhar oriental do Reino do Kongo, o Mbata. O autor não foi para a facilidade e explorou o conjunto das fontes disponíveis, chegando a uma síntese inteligível. Com efeito, seguindo a linha da evolução analítica do investigador da Universidade Agostinho Neto, o estado levantino da federação impõe a sua consideração estratégica devido as suas significativas jazigos polimetálicas, de boa qualidade, sobretudo de cobre. Assim, baseando-se na grande tradição metalurgista, fundador, dos Bantu, o nsi’a Mbata foi o um dos Ngangula, o Kinfi, o Nkelekexi ou o Unsadilu Tadi do “ Reyno”. Atribui-se os poderes fundamentais de Nsaku Luau, curandeiro, bem preventivo, da loucura do poder em Pembacassi e provedor de esposas ao Ntotela. Esta realidade mineira e política, associada, naturalmente, a um rigor social, disciplinador, afastaram do território, os perturbadores, formando, conforme o kikongo antigo, os Jaga, quer dizer os “Outros”, os “Bárbaros”, os “Degenerados” que aliaram-se com os “Estrangeiros”, os Imbangala. Mas tarde, já no século XVII, são qualificados de “bandidos” que se instalaram no médio-Cuango. Devido este posicionamento geográfico delicado, o Ne Mbata era o único chefe estatal a possuir um arsenal de armas ilimitado. E, hipóteses linguísticas sugerem expressões ligadas a guerra, tal como ekela. Outros grupos desceram, num avanço militar, imparável, rumo ao Ndongo, os Planaltos Centrais e a Huila. A Província ao leste esteve na mira dos traficantes de escravos que aceitavam suportes cupriferos como elementos de trocas validos. Mais, de acordo com as perseveras convicções mercantilistas, os negociantes europeus instalados no Planalto pressionavam “Bansa Congo”, a revelar os sítios dos jazigos. O Levante precioso, onde se explorava, igualmente, a borracha, caíra sob domínio colonial beneficiando do estatuto da capital do Congo Português e virá as suas riquezas minerais, sem segredos. Makela ma Zômbo: das origens até a criação da Circunscrição em 1911 Patrício Batsîkama 8 Makela do Zombo é placa económica giratória da zona, num contexto de falta de infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, com os seus heróicos portadores/carregadores. O país dos Bazômbo, no limite do Congo Belga, será, entre 1909-1911 e 1913-1915, um importante centro estratégico nas movimentações militares e religiosas na região. Em suma, o notável estudo de Patrício Batsîkama é uma dura história de metais e de borracha."

Makela ma Zômbo (e-book)

R$ 30,00Preço
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